Fotos digitalizadas: como colocar a data e o local certos em lote
O scanner grava a data de hoje em fotos antigas. Como dar a uma pasta de fotos digitalizadas uma data e um lugar reais para elas ficarem no ano certo.
Você passou um fim de semana digitalizando uma caixa de fotos dos anos 1980. Agora cada arquivo diz que foi tirado no sábado passado. Importe em qualquer app de fotos e a sua infância aparece no topo da linha do tempo, depois do almoço da semana passada.
Por que as digitalizações ficam com a data de hoje
Um scanner é uma câmera apontada para um pedaço de papel. Ele grava a data em que criou o arquivo, porque é a única data que conhece. Alguns programas de scanner colocam essa data no EXIF também, o que piora: agora a data errada está dentro do arquivo, não só nele.
O mesmo vale para fotos de papel fotografadas com o celular, o "escaneamento" mais comum no Brasil. A data que fica é a do dia em que você tirou a foto da foto, e o GPS é o da sua sala.
A foto em papel pode até ter uma data. Um carimbo atrás, uma anotação à mão, uma data queimada no canto pela câmera. Nada disso chega ao arquivo como dado. São pixels.
O que você sabe de verdade
Normalmente você sabe mais ou menos quando e onde. "Verão de 1987, na praia de Ubatuba." "Natal de 1992, na casa da vó." Você raramente sabe o dia, e nunca sabe a hora. Tudo bem. Uma data no mês certo coloca a digitalização entre as vizinhas. A hora pode ser meio-dia.
Então o trabalho é: escolher uma data e um lugar por lote, e gravar nos arquivos. Depois que estão no EXIF, todo app ordena corretamente, e elas continuam certas quando os arquivos mudam de lugar.
Digitalize em lotes que compartilham uma data
Essa é a única coisa a acertar antes de abrir qualquer programa. Digitalize um evento, ou um envelope de fotos, em uma pasta. Dê à pasta o nome do que ela é. Depois defina a data por pasta, não por foto.
Se você digitalizou tudo em uma pasta só, separe agora. Arraste as digitalizações para pastas por evento enquanto as fotos ainda estão em pilhas na mesa. É muito mais difícil pelas miniaturas um mês depois.
Definindo a data na mão
O exiftool grava uma data em cada JPEG de uma pasta com um comando:
exiftool -DateTimeOriginal="1987:07:15 12:00:00" -overwrite_original .
Para acrescentar um lugar, use coordenadas. Ache no Google Maps clicando com o botão direito no ponto. Lembre que no Brasil a latitude e a longitude são negativas:
exiftool -GPSLatitude=23.4336 -GPSLatitudeRef=S -GPSLongitude=45.0838 -GPSLongitudeRef=W -overwrite_original .
Depois copie a data para as datas do arquivo também, para o Explorador e o Finder concordarem:
exiftool "-FileModifyDate<DateTimeOriginal" .
Repita para cada pasta. Leva um minuto por lote. O -overwrite_original evita as cópias de backup que o exiftool deixaria, então faça o seu próprio backup antes.
O digiKam faz o mesmo por uma interface gráfica. Selecione as digitalizações, abra o editor de metadados, digite uma data e aplique a todas. O editor de geolocalização dele deixa você soltar um pino no mapa. O XnView MP também define datas em lote.
No Windows, sem programa nenhum, dá para selecionar várias fotos no Explorador, clicar com o botão direito, Propriedades, Detalhes, e digitar uma "Data da captura" para todas de uma vez. Funciona para JPEG e é lento em pastas grandes, mas para uma pasta de vinte fotos resolve.
Uma nota sobre TIFF e PNG
Muitos scanners produzem TIFF. TIFF carrega EXIF e o exiftool grava nele sem problema. Digitalizações em PNG são um problema: o PNG não tem um campo padrão de data EXIF em que os apps de foto concordem. Se o seu scanner salvou PNG, converta para JPEG ou TIFF antes de datar, ou espere que alguns apps ignorem a data.
Fazendo com o app
O Takeout JSON Metadata Fixer tem uma opção de data por pasta feita exatamente para este caso: uma pasta sem datas úteis em que você quer definir uma data e um lugar para tudo que está dentro.
Abra a pasta de digitalizações. Ligue a data e o lugar fixos, escolha a data e digite ou o nome de uma cidade ou as coordenadas. O app grava isso no EXIF de cada digitalização e ajusta as datas do arquivo para bater. Ele consegue renomear os arquivos para começar pela data, então scan0041.jpg vira 1987-07-15-1200_Ubatuba.jpg, e arquivá-los em pastas Ano/Mês ao lado das suas fotos digitais.
Se as digitalizações estão misturadas com fotos que têm datas boas, tudo bem. A data fixa só se aplica a arquivos que não têm data própria de um JSON ou do EXIF.
Ele trabalha no lugar, com uma pasta opcional "Originais (antes de organizar)", e tem uma simulação para você ver os nomes e as pastas antes de qualquer coisa ser gravada. Offline no Windows, no Linux e no Mac, com a interface em português. Grátis para 1000 fotos, US$ 19,99 uma vez para ilimitado.
Perguntas frequentes
Qual data escolher se só sei o ano?
O 1º de julho é um meio razoável. Algumas pessoas usam 1º de janeiro para ficar óbvio que a data é aproximada. Qualquer um é melhor que hoje.
Definir uma hora inventada atrapalha alguma coisa?
Não. A hora só é usada para ordenar dentro de um dia. Meio-dia é a escolha comum. Se você tem várias digitalizações do mesmo dia e sabe a ordem, pode dar horas com um minuto de diferença, mas raramente vale a pena.
Devo digitar um lugar se não tenho certeza?
Digite a cidade, não a rua. Uma localização no nível da cidade acerta com frequência suficiente para ser útil e erra de um jeito que não engana. Deixe em branco se não faz ideia.
O Fotos da Apple ou o Google Fotos vão usar a data que eu definir?
Sim. Os dois leem o EXIF DateTimeOriginal na importação e colocam a digitalização nesse ponto da linha do tempo. O Google Fotos também lê o GPS e mostra o lugar. O Immich e o PhotoPrism fazem o mesmo.